Quando entendemos que, não importa o quanto façamos para que as pessoas permaneçam nas nossas vidas elas ainda tem o direito de escolha. Ir ou ficar. Fazer sorrir ou chorar. Segurar a tua mão ou soltar. Ser abrigo e não te abandonar nessa loucura que é viver ou correr desenfreado para o outro lado. Não dói menos, não magoa menos, ainda dói da mesma forma ou até mais, mas junto com a dor vem a plenitude do saber, vem a sensação de ter esgotado todas as alternativas (e, pra quem é insistente, isso tem uma extrema importância) a culpa que colocamos sobre nós mesmos vai embora, a necessidade de tentar achar explicações óbvias, também. Aconteceu porque tinha que acontecer, é o que sobra. A minha decisão foi ficar, foi segurar a mão e ser abrigo, mas a da outra pessoa não e vice e versa. E ta tudo bem. Hoje eu decido ficar, mas amanhã posso ser a pessoa que quer ir. Ninguém perde as suas qualidades nem anula os seus defeitos porque escolheu ir ou ficar. E ta aí a grande graça, pensamos que no momento que entendermos seremos seres superiores, desenvolvidos, prontos para qualquer tipo de situação que surgir, mas não. Ainda somos falhos, ainda seremos as pessoas que vão, no futuro, fazer alguém sorrir ou chorar, segurar ou soltar a mão de alguém. Não da pra saber. Da pra viver e com intensidade. Ser verdadeiro e se isso fizer alguém sorrir, se isso te fizer sorrir, sairemos ganhando. Mas se não fizer, saiba que o amanhã, sempre vem. E o recomeço vem de dentro. Comece hoje.
Você ainda se sente?
Você ainda é diferente?
Você ainda se reconhece?
Você ainda permanece?
Você ainda sonha?
Você ainda é risonha?
O caminho que eu escolhi é o do amor. Não importam as dores, as angústias, nem as decepções que eu vou ter que encarar. Escolhi ser verdadeira. No meu caminho, o abraço é apertado, o aperto de mão é sincero, por isso não estranhe a minha maneira de sorrir, de te desejar o bem. É só assim que eu enxergo a vida, e é só assim que eu acredito que valha a pena viver.
Quem nunca mudou com o tempo? Aos poucos você vai deixando de escutar certas músicas, de usar certas roupas, de falar com certas pessoas. Mudar faz parte do ciclo da vida, embora a essência seja sempre a mesma. Quando encontrar um obstáculo grande na vida, não desanime ao passar, pois com o tempo ele se tornará pequeno. Não porque diminuiu, mas porque você cresceu.
A gente se cala, e não significa que estamos concordando com o que estamos ouvindo, a gente se cala por saber que temos uma facilidade muito grande em ferir quem está falando. A gente não se cala pela falta de palavras, a gente se cala pelo excesso delas.
A gente finge. Finge que sorri com felicidade no sorriso, finge que se contenta com o pouco que resta, finge que o amor basta. E quando não basta, a gente dá um jeitinho de bastar. Mas nunca basta. Nunca. Porque fingir que está tudo bem, é menos doloroso do que acreditar que tudo está perdido, inclusive a gente.
A nossa única obrigação é ser feliz. Independente de qualquer coisa.
Pensávamos ter todo o tempo do mundo quando, na verdade, já não tínhamos mais nada.
Ir embora é importante para que você entenda que você não é tão importante assim, que a vida segue, com ou sem você por perto. Pessoas nascem, morrem, casam, separam e resolvem os problemas que antes você acreditava só você resolver. É chocante e libertador – ninguém precisa de você pra seguir vivendo. Nem sua mãe, nem seu pai, nem seu ex-patrão, nem sua empregada, nem ninguém. Parece besteira, mas a maioria de nós tem uma noção bem distorcida da importância do próprio umbigo – novidade para quem sofre deste mal: ninguém é insubstituível ou imprescindível. Lide com isso. É preciso ir embora. Ir embora é importante para que você veja que você é muito importante sim! Seja por 2 minutos, seja por 2 anos, quem sente sua falta não sente menos ou mais porque você foi embora – apenas sente por mais tempo! O sentimento não muda. Algumas pessoas nunca vão esquecer do seu aniversario, você estando aqui ou na Austrália. Esse papo de “que saudades de você, vamos nos ver uma hora” é politicagem. Quem sente sua falta vai sempre sentir e agir. E não se preocupe, pois o filtro é natural. Vai ter sempre aquele seleto e especial grupo que vai terminar a frase “que saudade de você…” com “por isso tô te mandando esse áudio”; ou “porque tá tocando a nossa música” ou “então comprei uma passagem” ou ainda “desce agora que tô passando aí”. Então vá embora. Vá embora do trabalho que te atormenta. Daquela relação que você sabe não vai dar certo. Vá embora “da galera” que está presente quando convém. Vá embora da casa dos teus pais. Do teu país. Da sala. Vá embora. Por minutos, por anos ou pra vida. Se ausente, nem que seja pra encontrar com você mesmo. Quanto voltar – e se voltar – vai ver as coisas de outra perspectiva, lá de cima do avião. As desculpas e pré-ocupações sempre vão existir. Basta você decidir encarar as mesmas como elas realmente são – do tamanho de formigas.
Se você conseguir, em pensamento, sentir o cheiro da pessoa como se ela estivesse ali do seu lado. Se você achar a pessoa maravilhosamente linda, mesmo ela estando de pijamas velhos, chinelos de dedo e cabelos e maranhados. Se você não consegue trabalhar direito o dia todo, ansioso pelo encontro que está marcado para a noite. Se você não consegue imaginar, de maneira nenhuma, um futuro sem a pessoa ao seu lado. Se você tiver a certeza que vai ver a outra envelhecendo e, mesmo assim, tiver a convicção que vai continuar sendo louco por ela. Se você preferir fechar os olhos, antes de ver a outra partindo: é o amor que chegou na sua vida. Muitas pessoas apaixonam-se muitas vezes na vida poucas amam ou encontram um amor verdadeiro. Às vezes encontram e, por não prestarem atenção nesses sinais, deixam o amor passar, sem deixá-lo acontecer verdadeiramente. É o livre-arbítrio. Por isso, preste atenção nos sinais. Não deixe que as loucuras do dia-a-dia o deixem cego para a melhor coisa da vida: o amor.
O amor não é uma desculpa. Você não pode justificar o ciúme com o amor. Sinto ciúme de você porque te amo demais. Eu já disse isso, mas hoje vejo diferente. Se eu amo demais, o problema é meu. Dizer que ama e quantificar o amor só serve para quem sente. Se eu tenho o maior amor do mundo, o mais puro e o que mais me faz feliz o problema é exclusivamente meu.
E enquanto uma chora, outra ri; é a lei do mundo, meu rico senhor; é a perfeição universal. Tudo chorando seria monótono, tudo rindo cansativo; mas uma boa distribuição de lágrimas e polcas, soluços e sarabandas, acaba por trazer a alma ao mundo a variedade necessária, e faz-se o equilíbrio da vida.
Ficar mal com cada pequena coisa, uma palavra dita errada, um gesto não feito, um olhar indiferente, uma indireta no ar, porém sorrir duro e fingir que não foi nada. Ter tanta coisa pra falar, ensaiar tudo direitinho, pra na hora se atrapalhar e acabar por calando. Sentir muito, demonstrar pouco. Esse é o meu problema.
Acima de tudo, mais que felicidade, desejo a todos força. Porque felicidade a gente pode ter hoje, mas a certeza de que amanhã também teremos não. Essa ideia de felicidade vem do berço, vem da pergunta feita à mãe: O que você mais deseja a seu filho? Indiscutivelmente, que ele seja feliz. Mas eu, mais que feliz, quero ser forte. Forte para enfrentar os dias de felicidades, e os nem tão felizes assim.


